Índice de volatilidade começa 2026 em alta com tensões geopolíticas
Foto: Patrícia Monteiro
O início de 2026 tem sido marcado por uma instabilidade no mercado causada por tensões geopolíticas. Neste contexto de incertezas, um indicador que pode auxiliar os investidores em suas análises é o S&P/B3 Ibovespa VIX. Em resumo, o índice serve como um termômetro de quanto o mercado projeta de oscilação do Ibovespa B3 para os próximos 30 dias.
O VIX foi criado em 2024 no Brasil para medir a volatilidade implícita de curto prazo nos preços de opções do Ibovespa. De acordo com a S&P Dow Jones, um VIX até 15 pontos é considerado baixo. De 15 a 20, o nível de volatilidade esperada é considerado moderado. De 20 a 25, é médio, de 25 a 30 é alto e, acima de 30, é muito alto.
No ano passado, mesmo em um cenário político e econômico conturbado, o VIX só superou a casa dos 25 pontos em abril, quando o Trump anunciou sua política de tarifas. Em 2026, o índice ainda não atingiu essa marca, mas iniciou o ano na casa dos 16 pontos, superou os 20 pontos em 23 de janeiro e, em 28 de janeiro, chegou à sua máxima no período, com quase 23 pontos.
Em um ano, o índice teve um crescimento acima de 40% e, apenas em 2026, essa alta já é superior aos 21%. Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, explica o que causou esse impacto na expectativa por volatilidade no mercado:
“Em 2026, o VIX voltou a cruzar a marca de 20 pontos porque o ‘choque’ não veio de um dado econômico isolado, e sim de uma combinação de risco político, incerteza institucional e reprecificação de ativos de risco.”
Para Piellusch, a volta do tema “tarifas e retaliação” no início do ano por conta das escolhas políticas dos Estados Unidos elevou a demanda por proteção via opções, o que afeta diretamente o VIX. Porém, a diferença de 2026 para o ano anterior, segundo ele, é a natureza do risco.
“Não é só o impacto econômico potencial das tarifas (crescimento e inflação), mas também a sensação de imprevisibilidade de política econômica e ruído institucional. Esse pano de fundo aparece em reportagens sobre o dólar ‘sob fogo’ e investidores reavaliando o conjunto de medidas e declarações da Casa Branca ao longo de janeiro.”
Ainda sobre a diferença entre os períodos de volatilidade, o professor acrescenta que no ano anterior o salto foi mais pontual, causado pela política tarifária de Trump, mas rapidamente absorvido pelo mercado.
“Em 2026, a incerteza parece mais multifatorial e, por isso, mais difícil de precificar e encerrar rapidamente. O noticiário do mês mistura tarifas, geopolítica e questionamentos sobre condução e independência de política econômica, que afetam simultaneamente ações, juros e dólar.”
O que esperar do VIX para o restante de 2026

O clima de incerteza tem sido a tônica deste início de ano e existem motivos para o mercado acreditar que seguirá assim até dezembro. Além da manutenção das tensões políticas e econômicas, o Brasil terá eleições presidenciais em 2026. Já nos Estados Unidos, ocorrerão as eleições de meio de mandato, nas quais os assentos do Congresso estarão em disputa.
“Eleições elevam a dispersão de cenários para fiscal, regulação e política econômica, e isso costuma aparecer como prêmio de risco mais alto em câmbio, juros e ações, especialmente perto de marcos como definição de candidaturas, pesquisas e debates”, comenta Piellusch.
Além das eleições, ele acredita que as tarifas comerciais, as questões geopolíticas e a postura do Federal Reserve devem manter o piso de volatilidade mais alto.
“Os episódios recentes mostram que o mercado está sensível a headlines e que o VIX volta a 20 com relativa facilidade quando há choque de política comercial.”
Saiba como investir com o VIX
Desde dezembro do ano passado, a B3, a bolsa de valores do Brasil, conta com contratos futuros e opções relacionados ao índice S&P/B3 Ibovespa VIX.
O contrato futuro é um contrato padronizado listado em bolsa para negociar a compra ou venda de um ativo em uma data futura predefinida, a um preço acordado no momento da negociação.
Já as opções sobre índices são contratos de derivativos financeiros que dão ao titular o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender o valor de um determinado índice a um preço previamente estabelecido. Como um índice não é um ativo negociável, no dia do vencimento a liquidação é financeira, calculando-se a diferença entre o preço de exercício e o preço de liquidação do índice, sem necessidade de entrega física de ativos.
Fonte: Victor Rabelo / B3





